A preocupação com a saúde do planeta
Quando elegeu seis temas prioritários para a construção de um país melhor, por ocasião da comemoração de seu 40 anos, VEJA apontou um caminho. Escolheu a participação de seus leitores como estratégia e obtenção de soluções palpáveis como objetivo. Isso quer dizer que não buscou apenas o palavrório fácil e sem consequência. O que orientou essa iniciativa foi a busca de ferramentas que pudessem servir na prática, com substância, à sua tarefa de contribuir para o futuro. A decisão foi acertada.
O painel sobre Meio Ambiente recebeu 780 propostas que foram alvo de 1127 comentários. Foi, entre os seis temas eleitos por VEJA, o que mais atraiu a participação dos leitores. Isso demonstra a atenção que a sociedade brasileira dedica à preservação de seu patrimônio natural e à saúde do planeta. Ao ocupar esse pedaço do globo terrestre, os brasileiros foram tocados pela sorte. Usar seus recursos sem inviabilizar sua utilização pelas futuras gerações é o seu desafio.
A maior riqueza do imenso acervo de propostas, sugestões e colaborações recolhidas ao longo deste ano é que elas apontam para questões práticas. Não há teses mirabolantes ou fórmulas milagrosas para mudar o mundo. Destacam-se ali receitas claras para solucionar pequenos e grandes problemas cotidianos. Isso é um achado.
Entre todos os problemas ambientais brasileiros, a saúde da Amazônia é o mais urgente. E não se trata apenas de por fim à devastação de suas árvores. Ainda mais importante é oferecer condições de vida dignas para os 25 milhões de brasileiros que a habitam. A proposta enviada pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, Carlos Nobre, é preciosa nesse sentido. Ela aborda a importância de se encontrar um caminho para que a preservação da mata não signifique a privação dos homens. O princípio é usar a ciência para dar à biodiversidade amazônica uma utilização real, em escala industrial. Nada a ver com os surrados projetos de extrativismo que nunca deram viabilidade econômica à floresta.
Na mesma direção, de dar sentido prático às questões ambientais, estão muitas das contribuições de leitores.
Carlos Augusto de Melo e Silva compartilhou uma técnica de recuperação de pastos singular. Ela faz com que o próprio gado fertilize terrenos já desgastados. Vale a pena conhecê-la.
Ibrahim Tauil sugeriu que os repasses de verbas a município, pelos governos federal e estadual, sejam condicionados ao avanço na cobertura de tratamento de água e esgotos. Uma idéia que merece ser discutida.
Com propostas assim, o projeto avançou. Foi o primeiro passo para a ação. É ainda uma pequena contribuição, mas aponta um caminho para o futuro. Agradeço aos leitores e peço que continuem por aqui, enviando seus comentários e sugestões, para que a concretude das propostas seja o pilar de um futuro melhor.
Por Ronaldo França